sábado, 3 de abril de 2010

Migrantes chegam a 214 milhões e disparidades devem estimular fluxo

TEMA SEMPRE PRESENTE EM TODOS OS DEBATES ATUAIS, AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS LEVAM OS HOMENS A SITUAÇÕES GERADORAS DE CONFLITOS...
LEIA ABAIXO A REPORTAGEM SOBRE O TEMA...

A globalização teve até agora impacto limitado na mobilidade de trabalhadores pelo mundo, mas a imigração tende a aumentar por causa da crescente disparidade de renda global e tendências demográficas, estima a Organização internacional do Trabalho (OIT) em documento ao qual o Valor teve acesso.
A notícia é do jornal Valor, 29-03-2010.
Pelo menos 214 milhões de pessoas vivem este ano fora de seus países de origem, representando 3,1% da população mundial, calcula a OIT. No ano passado, eles enviaram US$ 317 bilhões para países em desenvolvimento, menos do que os US$ 338 bilhões de 2008, mas um montante ainda superior à ajuda dos países ricos ao desenvolvimento dos mais pobres, segundo o Banco Mundial.
As projeções apontam para um aumento no número de trabalhadores migrantes, na medida em que países desenvolvidos terão maior proporção de aposentados do que de trabalhadores, o que lhes causará menor dinamismo econômico. A ONU prevê queda de 25% na população do mundo industrializado até 2050, o que levará a uma forte demanda por trabalhadores de outros países nos EUA, Europa, Canadá, Japão, Coreia e China.
Em todas essas economias, trabalhadores migrantes serão necessários, em alguns casos em áreas técnicas e de inovação, mas sobretudo para ocupar postos onde simplesmente não há pessoas suficientes, como cuidar de crianças e idosos, dirigir carros e táxis, trabalhar no turismo, na construção, agricultura etc.
De outro lado, o crescimento da população estará concentrada nos países pobres, com mais jovens atraídos pela Europa e América do Norte em busca de oportunidades de emprego que não conseguem ter em seus mercados. Na América Latina, a migração sempre foi recorde para a América do Norte. Mas uma tendência recente é o incremento de fluxos migratórios das Américas para a Europa e alguns países da Ásia.
Não apenas as nações ricas estão ficando mais velhas e as em desenvolvimento, mais jovens, como todo mundo ruma para as cidades, com 70% da população mundial devendo residir em centros urbanos até 2050.
O especialista americano Jack Goldstone prevê em artigo intitulado "A nova bomba demográfica", na ultima edição da revista "Foreign Affairs", que "os níveis atuais de imigração de países em desenvolvimento para os países desenvolvidos são insignificantes comparados com aqueles que as forças de oferta e demanda podem criar em breve em todo o mundo".
Para Goldstone, tudo isso afetará fortemente a segurança internacional no século 21. Acha que a desigualdade econômica e o contraste demográfico dividirá o mundo em três blocos: os velhos países industrializados, os emergentes (China, Índia, Brasil, Indonésia) e os países mais vulneráveis (como Nigéria, Paquistão) que terão um desenvolvimento anárquico e urbanismo propício a máfias e gangues.
Ele avalia que o primeiro mundo envelhecido (Europa, EUA, China a partir de 2030) deverá negociar acordos com o segundo (Brasil, México, Tailândia, etc) e o com o terceiro mundo dos mais pobres.
Por iniciativa do Brasil, na presidência do Conselho de Administração da OIT através da embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, a entidade fará um seminário internacional para discutir a migração. Com a a crise internacional, a explosão do desemprego nos países ricos aumentou o sentimento xenófobo e vários governos endureceram o controle e exigências para trabalhadores migrantes. Mas a OIT nota também um certo consenso sobre o impacto da migração no desenvolvimento. Um deles é a remessa de dinheiro para países em desenvolvimento, além de transferência de tecnologia em alguns casos.

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